quarta-feira, 13 de março de 2013

Post Comemorativo: Beatriz, a que faz feliz.

Quando eu pedi aos amigos que dividissem um pouco das suas histórias comigo e com toda a blogosfera, fiquei um pouco ansiosa. Não sabia se eles iriam querer se manifestar e colocar para fora seus sentimentos mais íntimos. Mais do que isso, se iriam querer dividir seus sentimentos com tanta gente, expor suas vidas. São tantas coisas que passam por nossas cabeças...

Só me restava esperar... Aguardar as manifestações e entender com carinho aqueles que não responderiam ao meu pedido. E as histórias foram chegando, pouco a pouco, timidamente. Confesso que em alguns casos mais íntimos, eu cheguei a ligar, a cobrar... Queria muito que todos conhecessem um pouco da luta e das vitórias deles! Mais do que isso, queria que as pessoas entendessem que não há nada mais perfeito do que o amor. E, em se tratando de amor de mãe, de pai, de irmãos, de família, não existe diferença: o amor não conta cromossomos.

Eu me emociono a cada história, a cada foto. Fico feliz demais por ler cada depoimento, de ver como o amor vence qualquer barreira... Fico orgulhosa por ter conhecido essas pessoas que nem imaginava que iria conhecer e por poder mostrar o quanto eles são lindos, especiais.

Não sei se “pessoas especiais vem para pais especiais”, mas uma coisa é certa: essas crianças foram abençoadas com famílias maravilhosas.

E foi então que entre os depoimentos, recebi uma mensagem de uma mãe que mora em Itacaré, Bahia: Edy. Nunca sequer nos vimos, mas eu sinto por ela uma admiração imensa e me emocionei demais com sua história e com sua pequena, Beatriz. Esta sim é uma menina abençoada e que foi acolhida por uma família linda e cheia de amor e fé.

“Nossa historia é muito cheia de mistérios, de amor e de milagres.

Há 4 anos e 5 meses atrás eu comecei a ter sonhos repetitivos durante 2 meses. Esses sonhos eram sempre os mesmos: eu sonhava parindo uma menina ou outras vezes uma mulher aparecia me entregando esse bebê dizendo que era para mim, só que eu nunca conseguia ver o rosto da criança.

Um belo dia, eu estava descendo uma ladeira com meu carro quando uma criança atravessa correndo na frente do carro. Eu freei em cima do garoto e graças a Deus o pior não aconteceu.

Daí apareceu a mãe do garoto com uma menina muito pequena e sorridente nos braços. Quando olhei aquele sorriso, de alguma forma eu sabia que era o bebê dos sonhos, ela imediatamente se jogou para os meus braços e meu coração transbordou de amor, deu para sentir que ela estava febril e nós que estávamos envolvidos no incidente, esquecemos o porquê estávamos parados ali. E a conversa seguiu em torno do bebê: a mãe me contou suas dificuldades e pediu ajuda. Eu, instantaneamente, pedi a ela para levar o bebê para passar o dia comigo e a mãe, mesmo sem me conhecer, confiou e concordou imediatamente.

Levei-a para minha casa às 10h da manhã, dei comida e remédio para febre e às 5h da tarde levei-a de volta para sua mãe. Todos em minha casa ficaram com o coração “contaminado” de amor por aquela menina.

No outro dia cedo, fui à sua casa para saber como ela estava. Continuava febril e eu a levei ao médico junto com sua mãe. O médico nos informou que ela estava com pneumonia. Como moramos em Itacaré, onde não temos muitos recursos hospitalares, ele nos informou que ela iria precisar de cuidados especiais. Pois era muito pequena e estava fraquinha, abaixo de seu peso; ela tinha 5 meses com tamanho de 3 meses. Ele nos informou também que ela era Down.

Então, propus a mãe que eu a levasse para casa para cuidar da saúde dela. Depois de dois meses, quando ela já estava com 7 meses, descobrimos que ela tinha uma cardiopatia grave.

Propusemos a sua mãe uma adoção, mas ela resistiu, pois, entre 5 filhos ela era a única menina.

Mas suas condições, tanto financeiras quanto emocionais e estruturais estavam a sua frente. Ela tinha 21 anos, 5 filhos, cada filho de um pai diferente, a pequena era Down e foi rejeitada pelo pai. Sem moradia e sem trabalho, ela acabou concordando. Daí aconteceu a adoção, mas eu sempre digo que foi ela que adotou nossa família.


 Sorriso encantador...

Nossa vida mudou naquele momento. Eu tinha um casal de filhos: hoje o mais velho tem 27 anos e a outra tem 24 anos. E desde aquele momento todos vivem para fazê-la feliz e ela nos faz muito felizes.

Iniciamos seu tratamento no Hospital Santa Isabel em Salvador. Depois, de muitas tentativas para fazer a cirurgia de correção do coração, descobriram que ela precisaria de um transplante duplo de coração e pulmões e que ela teria pouco tempo de vida. Ela teve parada cardíaca ficou em UTI e os médicos, em todo momento, mandavam eu me preparar para o pior, pois, eles não podiam fazer mais nada. As chances de sucesso de um transplante desse porte são mínimas, quase não existem.

Bom, ela saiu da UTI com vida e cheia de vida! Tanto que está confundindo a medicina. Hoje ela está com 5 anos de vida e vivemos intensamente cada dia. Eu creio que Deus tem propósito para todas as coisas e “Todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus”. Eu creio que através de nossa historia de fé e amor, Deus tem muito a fazer na vida de outras pessoas e louvo a Deus pela oportunidade de dividir nossa historia com vocês e estamos à disposição para ajudar outras pessoas.”

Olhar cativante!


Gente, olha que família mais linda!
Esta foto me emocionou demais! Amei!

2 comentários:

  1. Infelizmente não tenho uma boa noticia, ontem a linda Beatriz, descansou. Está nos braços do divino. Mas tenho certeza que sua missão aqui na terra foi cumprida.

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    1. Estou sabendo disso e em oração pela família e por ela.
      Também estou certa de que a missão dela foi cumprida e que ela teve todo amor que precisou na sua curta caminhada na terra.

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