segunda-feira, 23 de março de 2015

“Não precisa mudar, vou me adaptar a seu jeito...”

Eu tinha me prometido que neste ano ficaria quieta, que não movimentaria nada em torno do dia 21/03... Por alguns motivos. Primeiro, porque desde o ano passado, eu me desvinculei da associação, e penso que as ações devem ser iniciadas e executadas por instituições... Assim dá mais força! O que não significa que eu não divulgaria ou que não participaria. Apenas não achei pertinente movimentar e iniciar as ideias como fiz nos últimos dois anos. Mesmo que a minha cabeça fique fervilhando (eu sou assim, fazer o que?!).

Mas, foi difícil resistir ao chamado de Betina (nem tentei, rs) para uma nova exposição. Primeiro porque sou fã do trabalho dela, segundo porque ela se tornou uma amiga e parceira muito querida e terceiro porque eu sou assim mesmo, já disse isso! E a minha cabeça ferve mesmo, eu não consigo concordar com alguns discursos isolados e a minha voz fica presa querendo gritar! Pois é... Alguns podem pensar que eu quero me promover (só não sei ao que mesmo!) ou que quero expor meu filho, que apesar de lindo, no meu íntimo, prefiro resguardar... Criei um blog, é verdade, e muitas vezes já me questionei sobre ele... Já pensei até em descontinuar... Só não faço isso porque eu lembro os motivos que comecei e de tanta gente que se aproximou de mim, e de tanta gente que, de alguma forma, eu ajudei. Aí eu declino da vontade de desistir... Mesmo com o tempo tão escasso, com a vida tão corrida, tão sozinha que me sinto em tantas situações, quando escrevo aqui, essa solidão de alguma forma é preenchida. Uau! Acho que preciso mesmo de terapia, rsrsrsrs!

Continuando, Betina recebeu uma ligação de uma mãezinha linda, Anne, que quis saber se ela iria fazer alguma exposição neste ano. Betina Valente é a fotógrafa que fez as fotos da campanha do ano passado, que originou uma exposição no shopping Barra e que está circulando por escolas da cidade! Daí, Betina ligou para Mani – mãe de Mel, perguntando se não iríamos fazer nada. Bastou isso para a minha mente agitada despertar e começar a pensar no tema da exposição. Depois de algumas conversas e viagens, em uma fala de Cy – mãe de Arthur, ela desabafou da dificuldade que tem em acolher alguns discursos (que não precisam ser transcritos aqui, certo?!) e mencionou o trecho da música de Saulo (esse trecho que foi escolhido como título da exposição). Pronto, uma viagem (nem queiram saber qual!) resolvida e fomos embora para casa. Não dormi naquela noite, pensando que o tema que tínhamos escolhido era muito difícil de organizar, de conciliar agendas, etc. Quando levantei, ainda com a mente em êxtase, veio bem nítido para mim o título “não precisa mudar, vou me adaptar a seu jeito” e imagens de mães com filhos. Era isso! O discurso de Cy resolveu as minhas inquietações! Viva! Pronto, falei com a galera, com Betina e nos empolgamos de vez com o tema escolhido que foi ampliado de mães com filhos para imagens de famílias, afinal de contas, a família é o núcleo!

Foi assim que concebemos o “nosso” tema e convidamos algumas mamães e famílias para participarem da nossa exposição. O resultado, não podia ser outro, foi incrível! Olhando para cada uma das fotos é possível sentir o amor e mais do que isso: aceitação, respeito!

Não, os nossos filhos não são “normais” ou “típicos” ou “comuns” como queiram denominar, nossos filhos são crianças COM síndrome de Down. E isso não tira nem um pouco do valor que eles têm para nós. Isso não muda nada! Quer dizer, isso traz uma rotina um tanto quanto diferente a qual precisamos nos adaptar...

Eu poderia passar horas escrevendo sobre o tema, fazendo cada um refletir um pouco sobre os próprios discursos (independente de síndrome de Down, ou qualquer outra deficiência), sobre as tantas expectativas que criamos e que se tornam um peso para nós, pais, e para as crianças também! Que trazem frustração, ansiedade e insegurança para ambas as partes. É muito bacana olhar, minha gente, para o lado cheio do copo e nesse lado investir e oportunizar!


21 de março – dia internacional da síndrome de Down – dia de celebrar as diferenças, dia para exibir tantas vitórias e conquistas, dia de encher as mídias sociais de fotos dos nossos rebentos e mostrar que sim, o céu é o limite para qualquer pessoa que esteja disposta a mostrar o seu valor! Mas, para mim, todo dia é dia de exigir respeito!

Visite-nos! A exposição está no piso L1 do Shopping Barra até o dia 05 de abril

quinta-feira, 12 de março de 2015

E na escola, como vai?

Essa é uma pergunta freqüente que me fazem quando converso sobre Lucas: “e na escola, como vai?” ou “como tem sido ele na escola?”. Ele está ótimo! Muito feliz e satisfeito com a nova rotina escolar, incorporada à sua vidinha desde o ano passado. 

É isso: 2014 foi o primeiro ano escolar de Lucas. E se nesse ano eu tive muitos momentos desgastantes e cansativos, posso dizer que a escola dos meninos foi o melhor no meu saldo positivo!

Mateus em uma nova escola, depois de cinco anos numa mesma escolinha, bem menor em tamanho e quantidade de crianças. Lucas acompanhou o irmão nessa nova fase. Foram os dois para a mesma escola. Confesso que meu coração ficou bastante apertado assistindo meus pequenos chegando naquele mundão novo.

Mateus entrou em uma turma que já estava formada desde o primeiro ano escolar e meu filhote não é dessas crianças que abre os braços em um primeiro encontro. Ele é um rapaz tímido. E assim foi nos primeiros dias... Para completar o quadro, ele entrou naquela fase de perder os dentinhos, o que o deixou ainda mais sem jeito com os novos amigos (muitos deles com janelinhas também!). Mas, essa timidez não durou muito tempo! Mateus logo se enturmou e foi muito feliz em sua nova escola! 

E Lucas? Primeiro ano escolar de “Mêlouro”... Como foi isso? Em um primeiro momento, foi muito estranho... Muito confuso. Senti muita angústia, apesar de sentir confiança na equipe da escola, em sua professora e demais profissionais envolvidos. Sei lá... Foi o primeiro momento em que de fato eu me deparava com essa tal de inclusão.

É muito fácil conceituar inclusão. Para algumas escolas, talvez, seja até fácil praticar a inclusão. Para outras, um tanto confuso (acham que basta seguir as cotas previstas em lei e pronto).

Quando eu procurei uma escola para Mateus, um dos critérios que busquei pontuar foi o modo que a escola praticava a inclusão. Sim, e encontrei a escola que ele ficou dos nove meses aos cinco anos e lá eu aprendi um pouco sobre inclusão, mesmo que Lucas não tenha ido para lá. Principalmente sob a ótica de mãe de uma criança típica que estava na escola e que no processo ganhou outro filho e “especial”.

Mas, por que eu procurei uma “escola inclusiva” para Mateus? Porque desde sempre eu queria que meu filho convivesse com a diversidade, queria oportunizar para ele possibilidades concretas de conviver com as diferenças. Eu ainda não imaginava que ele teria um irmão com síndrome de Down...

E então, fomos nós para a escola nova que desde a entrevista no ano anterior, me acolheu e acolheu meus dois filhos igualmente. A responsável da escola que me atendeu, respondeu com um lindo “cada criança é única, né?” e ainda me trouxe alguns exemplos interessantes sobre a experiência com crianças com síndrome de Down na escola. Sim, inclusão é isso! É não obstar oportunidades a uma pessoa em decorrência de sua condição ou necessidade. É acreditar que é possível oportunizar possibilidades a todas as pessoas, respeitando os seus limites e condições! É conhecer cada pessoa por seu nome e não por seus rótulos ou estereótipos.

Bom... Mesmo com todo esse acolhimento, com uma professora linda e que de cara me conquistou, o frio na barriga era inevitável. Mas, a adaptação de Lucas foi tranqüila e ele conquistou todos os adultos de sua convivência! Além dos colegas, como eu soube na reunião de final de ano e os pais dos colegas (era nítida a afetividade no olhar de cada um para o meu filhote). Foi lindo ouvir dela os relatos do dia a dia de Lucas e seus colegas. Alguns (vários) momentos de mordidas, brigas, empurrões (acho que por ser mãe de segunda viagem, a dor foi mais bem digerida) aconteceram. E foram muito bem resolvidos. A gente percebe o quanto eles se gostam e se sentem felizes com as presenças dos amigos nas festinhas e momentos fora da escola. Criança é assim mesmo, né, gente?! Aprendendo a cada dia e com uma alegria de aprender que só eles sabem expressar! Cada conquista é única!

Mas, eu tive lá os meus momentos ruins... E conversei sobre isso com a professora, também em nosso último encontro de avaliação do ano. Eu confessei a ela os meus medos e minhas apreensões... E talvez muitas mães não consigam identificar essa dificuldade nelas próprias e aqui eu vou expor o meu sentimento, que não deixa de ser fruto de insegurança, medo e ignorância, mas que eu senti e por isso acho que é válido dividir com vocês. Foi de fato o primeiro momento em que Lucas estaria convivendo em um ambiente em que ele era "diferente" e que não nos teria para auxiliá-lo de perto e de olho em suas "necessidades especiais". Era isso... E isso dá um medo danado! Uma aflição, uma angústia e a necessidade de controlar os sentimentos de se sentir ainda mais acolhida, ouvida... Passei por momentos complicados em mim mesma naquele primeiro semestre, principalmente! Não é algo que eu consiga colocar em palavras para explicar concretamente... O melhor foi poder conversar com a professora e externar os meus medos e anseios de mãe. E ser compreendida.

Sei que terei muitos anos escolares pela frente e estou caminhando, mas estou feliz com a escolha que eu fiz para os meus meninos porque eu vejo a felicidade deles naquele universo que os pertence. Ainda vou escrever muito sobre isso!

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

O blog ainda existe!

Pois é... o blog ainda existe e eu resisto! É que quando 2013 acabou, eu sinceramente achei que fosse ter um ano mais fácil, mas que nada... Já compreendi que a cada etapa que passamos, a próxima vem um pouquinho mais complicada, como num vídeo game... A gente aprende uma fase e passa para outra mais difícil!

Sem brincadeiras, 2014 foi um ano difícil, mas não por causa de minha rotina frenética (e que eu escolhi!), mas porque em muitos momentos eu me senti verdadeiramente sem energia, acreditem! Parecia que estava sendo sugada... E acho que estava mesmo. Eu com essa minha mania de ajudar todo mundo, de conversar, de entender o outro, ainda não aprendi a filtrar o que não devo levar para a minha vida. Por isso resolvi dar um tempo em muitas coisas e me analisar um pouco. E uma das coisas em que precisei dar um tempo foi na escrita. Porque eu percebi que ao invés de trazer informações sobre síndrome de Down e sobre a evolução de Lucas, sobre as dificuldades e como tentamos driblá-las, que era o meu objetivo inicial, eu comecei a fazer disso aqui uma espécie de diário de desabafos! Acho que foi importante, válido e necessário.

Mas, agora, tomei a decisão de retomar. Retomar com o objetivo inicial. E tenho muitos assuntos bacanas para dividir com vocês, por exemplo, 2014 foi o primeiro ano escolar de Lucas! E foi muito bacana! Também iniciamos, com resultados positivos, o desfralde dele, além de novos rumos nas terapias! Claro que não vou conseguir escrever isso tudo aqui, mas já deixo vocês sabedores e colaboradores dessa minha vontade de retomar a escrita e todos os projetos que ainda estão apenas no papel.

Vamos em frente que, por enquanto, estamos em férias familiares (e muito mais trabalho!) e 2015 não será um ano fácil, mas promete ser muito feliz. A energia que eu sinto é de muito trabalho, dedicação, reconhecimento e felicidade.

Ah! E eu firmei um compromisso comigo: vou me concentrar apenas nas coisas que me fazem feliz. É isso.

Praia que refresca e energiza! Estou nessa vibe!

sábado, 6 de setembro de 2014

Campanha Pinguinho Solidário


Sim! Já faz tempo que não escrevo aqui! E garanto que não é por falta de assunto... Estou com vários temas para escrever, muitas novidades para contar, afinal de contas esse é o primeiro ano de Lucas na escola, junto com o irmão (que também está em uma nova escola). Prometo não demorar em mandar notícias. A verdade é que eu estava precisando organizar um pouco as coisas (da forma que for possível) - rotina, casa, atividades, etc. Seria muito bom um tempo ocioso, mas isso não faz parte dos meus planos atualmente, então... Algumas coisas acabam ficando para trás. Mas, é só uma questão de tempo!

Mas, não poderia deixar de contar para vocês sobre uma das coisas que estou apoiando no momento. É a campanha do Pinguinho Solidário, idealizada e realizada pela linda Teca (que tive o enorme prazer de conhecer pessoalmente nos últimos dias). Teca foi uma grande apoiadora em nossas ações em comemoração ao dia internacional da síndrome de Down, em março passado e a nossa campanha fez com que ela decidisse o público-alvo da campanha dela neste ano. Sim, a campanha do Pinguinho Solidário vai fazer uma farra no Lar Vida!!! Isso mesmo! Aquele orfanato que já colaborei com as doações arrecadadas nos aniversários de Lucas! Lembram? Escrevi sobre ele aqui! E fiquei mega contente com a decisão dela! Quer saber um pouco mais, acessem aqui e vocês vão conhecer um pouco mais sobre a campanha!

Em uma das ligações de Teca para Cristina (fundadora do Lar Vida) para conversar sobre a organização do evento de entrega das doações, ela descobriu que o que o Lar precisa mesmo agora é de tinta! Sim, tinta! Tinta para pintar o Lar Vida!!! E agora? Não seria nada fácil arrecadar tinta... Então, minha amiga propôs um desafio (já que agora virou moda, né?!) que vocês podem conhecer aqui 

E como não poderia ser diferente... É o seguinte, Teca: desafio aceito! E algumas amigas desafiadas: agora é com vocês, Cynara Moraes, Débora Rêgo, Érica Souza, Fernanda Gama, Manuela Sampaio, Roberta Bartel, Angelita Broock, Emanuele Barbosa e Fernanda Prado! E então, preparadas?! Eu adorei esse desafio!!! Se você quiser participar, não se acanhe! O Lar Vida agradece!

Lar Vida – http://www.larvida.org.br/
Conta para depósito em dinheiro:
Banco Bradesco
Agência: 1425
Conta corrente: 027.538-7
Bando do Brasil
Agência: 1599-7
Conta corrente: 12.886-4


E aqui transcrevo um trecho escrito por Teca: Após realizar a sua doação envie o comprovante para blogpinguinhodetinta@gmail.com para que possamos contabilizar quanto arrecadamos para a compra das tintas. Toda campanha social precisa ter TRANSPARÊNCIA!

E agora, com vocês uma "pintança" maravilhosa!!!







sábado, 10 de maio de 2014

Mãe...

Passei uma semana sensível... Pensando em mim, em minha atuação como mãe. Pensando no antes. Lembrando como era a minha vida antes de me tornar mãe. E confesso que não lembrei exatamente como era a minha vida! São apenas seis anos... Tão intensos! Fiquei feliz! Muito feliz por perceber que eu não lembro mais como era antes, sem minha patota... Parece que sempre estiveram aqui! Tão bom...

Porque ser mãe não é uma escolha simples. Mas, quando a gente escolhe, nem imagina isso. Não! A gente não faz ideia do que vai sentir... É algo inexplicável... Sem medidas, incondicional. Mas, falar assim não explica também. Só vivendo... Só embarcando nessa viagem é que podemos entender de fato o que é isso. É aquela coisa mesmo, de letra de música, em que quando as pessoas falam, a gente até torce a boca, como se aquilo que foi dito pudesse ser questionado.

No ano passado, lendo um livro - coisa que tem sido muito difícil depois de ser mãe, antes eu lia três ou quatro em um ano, agora leio um e olhe lá! - em um trecho, a personagem descobre que sua filha, uma menina, tem um diagnóstico suspeito de leucemia. E nesse momento, ela pensa na loucura que é se tornar mãe. Sim, porque perder um filho é praticamente perder a própria vida e ter que continuar viva. Foi dessa forma que ela resumiu o que estava sentindo. 

Caramba, lendo essa reflexão, eu respirei fundo. É verdade... Só de ver narizes entupidos, falta de apetite, expressões de dor, lágrimas e outros sintomas de "sofrimento", meu coração dói... Isso realmente é muito louco. Ser mãe é uma viagem muito louca. E a gente escolhe, né?! A gente escolhe deixar de viver apenas as nossas vidas para gerar e cuidar de outra pessoa... 

E a gente repete isso! Mesmo sabendo como é! Porque a gente aprende esse amor e é ele que a gente quer sentir em dobro, às vezes em triplo!!! Porque esse amor dá sentido à vida. Porque se antes eu saía para trabalhar com um objetivo, depois deles, são outros... Não sou apenas eu mesma. Sou eu e mais dois. E isso me completa. Isso me faz viver muito mais feliz do que antes. Deve ser por isso que eu não lembro.

E hoje, recebi um texto de uma amiga que expressa exatamente isso tudo, quero dividir com vocês:

"Um filho...
Ele é o nó no meu cabelo.
O esmalte descascado na minha unha...
As olheiras no meu rosto.
Ele é o brinquedo na gaveta de roupas, o amassado nas páginas do meu livro, o rasgado no meu caderno de anotações.
Ele é o melado no controle remorto, o canal de televisão, o filme no dvd.
Ele é o farelo no sofá.
As tesouras no alto.
Ele é o backup no computador, o mouse escondido, as cadeiras longe da janela.
Ele é a marca de mão nos vidros, o desfiado nos tecidos.
Ele é o ventilador desligado, a porta do banheiro fechada, a gaveta da cômoda aberta.
Ele é o coque na minha cabeça, o amarrotado nas roupas, as frutas fora da fruteira, os panos de prato amarrando os armários.
Ele é o meu shampoo cheio de água, a espuma no chão do banheiro, o brinquedo na privada.
Ele é o interruptor nas tomadas.
Ele é o peixe no aquário, a árvore de Natal, os "pisca-pisca" de todas as casas.
Ele é o círculo, o susto.
A primeira visão da lua no começo da noite.
O valor do trabalho, a vontade de aprender, a minha força, a minha fraqueza, a minha riqueza.
Ele é o aperto no meu peito diante de uma escada, a ausência de sono diante de uma febre.
Ele é o meu impulso, o meu reflexo, a minha velocidade.
O cheirinho no meu travesseiro, o barulho, a metade, o azul.
Ele é o vazio triste no silêncio de dormir, o meu sono leve durante a noite.
Ele é o meu ouvido aguçado enquanto durmo.
A minha pressa de levantar da cama, a minha espera de bom dia.
Ele é o arrepio quando me chama, a paz quando me abraça, a emoção quando me olha.
Ele é meu cuidado, a minha fé, o meu interesse pela vida, a minha admiração pelas crianças, o meu respeito pelas pessoas, o meu amor por Deus.
É o meu ontem, o meu hoje, o meu amanhã.
Ele é a vontade, a inspiração, a poesia.
A lição, o dever.
Ele é a presença, a surpresa, a esperança.
A minha dedicação.
A minha oração.
A minha gratidão.
O meu amor mais puro e mais bonito.
A minha vida".
(autor desconhecido)

Obrigada, meus filhos, por me ensinarem o verdadeiro sentido da vida. E um feliz dia das mães para todas as mamães!




segunda-feira, 14 de abril de 2014

Três anos!!!

Três anos, caramba, três anos de Mêlouro... Foi rápido mesmo! Ainda mais com rotinas tão intensas! Em alguns momentos, a vontade era que o dia tivesse uma horinha a mais, mas faria uso dela com os meus amores. Ah, com certeza!

E então é isso. São três anos de Lucas, três anos intensos. Três anos em que eu acho que amadureci o dobro! É impressionante. Digo isso não só em relação aos meus filhos, mas em relação ao meu olhar para o mundo. Meu olhar é muito diferente do que era, mais atencioso, mais detalhista, com muito mais empatia na minha vida. Porque depois de ter filhos, eu comecei a olhar para os outros de uma forma diferente. Eu confesso! Sem vergonha nenhuma. Sinto muito orgulho da pessoa em que me transformei depois de ser mãe.

Mas, não é só isso. Ser uma mãe especial me transformou ainda mais. E eu já escrevi que ser mãe especial me fez enxergar o mundo e as pessoas sob novas perspectivas. Ser uma mãe especial mudou a minha forma de viver, transformou substancialmente a valorização que eu dava a determinadas situações! Tenho ainda mais orgulho disso.

A vida que poderia ter se tornado um caos, um desespero, se tornou ainda mais leve! Eu poderia ter me tornado uma vítima da vida, mas me transformei em uma guerreira, me sinto forte! E confirmar que ao meu lado tem um pai maravilhoso só fez o meu amor e admiração por ele aumentarem ainda mais. É isso. E é assim que eu gostaria que as pessoas que recebem um "diagnóstico" como o meu se sentissem.

Alguns se aproximam para dizer que eu nem imagino as dificuldades que terei quando meu filho crescer. Não sei... Mas, imaginando as dificuldades que eu pensei que teria quando ele nasceu e como as coisas se ajustaram, eu penso que as coisas se tornam mais difíceis na medida em que a gente dificulta elas. E Lucas, meu iluminado, só tem facilitado a minha vida, principalmente quando ele abre aquele sorriso lindo e cheio de ternura. Ele enche minha vida de amor quando me abraça forte, cheio de carinho e afabilidade. Meu Lucas transformou a minha vida e transforma a de muitos a sua volta. Ele nasceu para isso. Eu sei.

Obrigada, Mêlouro, por trazer ainda mais felicidade para as nossas vidas!

E tem como não se derreter com um sorriso desses?

quarta-feira, 2 de abril de 2014

21 de março de 2014

Esse é o terceiro ano em que o dia 21 de março movimenta a minha vida de uma maneira sublime e diferente! Movimenta e transforma!

Desde o ano passado, quando Lucas já estava um pouco maior, que eu e as minhas amigas nos juntamos para pensar e idealizar formas de divulgar esse dia tão importante para as pessoas com síndrome de Down e suas famílias.

Um dia desses, eu li um texto com o título “comemorar ou lamentar” que me fez refletir um pouco sobre o que eu penso, em como eu vivo. Cheguei à conclusão que o dia 21 de março é dia para se comemorar sim, dia de chamar a atenção, um dia marcado para mostrar a importância de incluir, de respeitar, de conviver com a diferença. Como bem escreveu uma amiga, para nós, pais, todo dia é dia dos nossos filhos, mas o dia 21 de março é o dia da síndrome de Down para o mundo. Para ecoar ainda mais alto a nossa voz!

Bom, depois de me tornar mãe, eu me transformei, aprendi muito mais sobre mim mesma, comecei uma vida tão diferente de tudo que já havia vivido antes. Mas, me tornar uma mãe "especial" mudou a minha vida. Mudou meu caminho. É isso. Se já não era como antes, hoje eu me sinto ainda mais diferente... Tive a oportunidade de enxergar a vida de outro ângulo. Sob novas perspectivas.

E eu vivo todas as belezas desse rumo inesperado de uma forma leve, tentando conscientizar as pessoas que me cercam que sim, é diferente, mas “e daí... que diferença faz?”. A rotina das terapias não é nada fácil, mas não precisa ser ruim, né?!

Então, agora vamos lá! Desde janeiro que eu e Débora começamos a pensar no que faríamos para comemorar o dia 21 de março. E em uma longa caminhada em direção ao Bonfim (isso mesmo, foi durante a lavagem do Bonfim que nós começamos a planejar!) a gente idealizou tantas coisas, imaginou tantos cenários, miramos as estrelas! Sim, foi isso mesmo. A gente sonha alto... Mas, "ser mais do mesmo o tempo todo não é tão legal?".

Depois da caminhada, de férias merecidas, convocamos o nosso grupo, um tal "G7", denominação criada carinhosamente por Sheila Araújo, terapeuta ocupacional de alguns dos filhos do grupo para simplificar nas conversas ao se referir a essas sete mães que se uniram em um momento tão oportuno. Tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo.

Enfim, caminhos escolhidos, objetivos definidos, fomos nós. E mobilizamos algumas ações que resultaram em trabalhos lindos, como a exposição de fotos com os jogadores dos dois maiores times (e rivais) da Bahia - a dupla BAVI. Enfrentamos algumas situações desconfortáveis, mas que serviram para nos unir e fortalecer ainda mais! Um papo sobre um movimento paralelo, que nem tinha sido idealizado ainda, fez com que a gente pensasse em como nos mobilizar e, dessa vez, sozinhas. Mas, não estávamos sozinhas. Porque estamos sempre juntas, uma colaborando com a outra, completando o pensamento, conversando, criando, vibrando, chorando, rindo, surtando juntas! E, me desculpem, mas afinidade é um presente divino para seguir em frente!



E foi assim que em um papo com Marcelo, conversei sobre a música Ser diferente é normal” e em como seria interessante se o grupo Canela Fina gravasse a música com arranjos que só eles poderiam criar. E ele me responde que se o grupo topar, seria um sucesso. Pronto, me estimulou, já viu... Conversei primeiro com Kamile (guitarrista do grupo) por mensagem em facebook, sem comunicar às meninas, esperando a resposta e ela topou na hora (depois me confidenciou que também não tinha comunicado ao grupo) e aí corremos para realizar o nosso projeto. O tempo foi tão corrido, contatamos estúdio, e depois de muitas negativas, fomos acolhidos por Ruth Buarque, assessora da Pracatum – podia ser melhor?! Nunca! Foi lindo de viver! E mesmo depois de um dia de trabalho, passar aquelas seis horas à noite em um estúdio acompanhando a gravação foi muito bacana! Sem falar, que depois de sair do estúdio, mais de meia noite, corremos para levar o material para o editor! Cansadas, mas eufóricas e felizes! A gente ainda não tinha nem noção do que viria pela frente! Foi difícil dormir naqueles dias!



Bom, no total foram três noites sem dormir, acompanhando a gravação e a edição do vídeo, mas fazia tempo que eu não me sentia tão feliz em fazer um trabalho. Ah, gente, amor é tudo!



Contatos com emissoras de televisão e um apoio magnífico da Rede Bahia nos fizeram ainda mais felizes! Quem viu o videoclipe com certeza concorda que ficou maravilhoso! Música linda com arranjos singulares, cantado por vozes maravilhosas, com imagens emocionantes de nossas crianças, que estavam ali representando as pessoas com síndrome de Down... Exibido em todas as edições dos jornais locais da Rede Bahia – foi fantástico! A repercussão foi maravilhosa!

Para completar, no clássico BAxVI, os meninos entraram com os jogadores dos times e nós pudemos ver no telão o nosso vídeo lindo sendo exibido na Arena Fonte Nova! Emoção pura!




Até hoje ainda estou aqui refletindo, pensando em nossos erros, em como fazer melhor, em como garantir a participação de todos, pensando nas parcerias firmadas e nas outras que estão por vir e de uma coisa eu tenho certeza: é só o começo! E isso está me realizando de uma forma tão boa, tão feliz...

Visitando a exposição no shopping, no último sábado, tive o prazer de encontrar três mamães lindas, com seus filhos mais lindos ainda e tive a certeza de que conseguimos sim (mesmo que algumas pessoas pensem que essa movimentação não é válida) alcançar o nosso objetivo: eu vi, nos olhos delas, orgulho em desfilar com seus filhos, eu vi nos olhos delas a satisfação por encontrar acolhimento e compreensão. Eu fiquei feliz demais. Não poderia ser melhor!







Agora é hora de agradecer! Agradecimentos mais do que especiais: ao Esporte Clube Vitória, ao Esporte Clube Bahia, aos fotógrafos Betina Valente e Marcelo Tanajura, ao grupo Canela Fina (sou fã demais!), à Pracatum – PC e Ruth, vocês foram perfeitos, a Fredshon, André Carvalho, Ivo Xavier, à Arena Fonte Nova, à Sudesb, ao Shopping Barra, à Rede Bahia (incríveis!), à Ser Down, Leonardo Sahade e, principalmente, às famílias que participaram diretamente (mesmo os que não foram). Além deles, quero agradecer a minhas amigas maravilhosas que estão comigo em qualquer parada e que fizeram isso tudo acontecer (“G7”) e, finalmente, àquelas crianças lindas que abrilhantam as nossas vidas nos fazendo lembrar que “ser diferente é normal!”

Além disso, ainda tivemos um momento muito bacana com Teca do site Pinguinho de Tinta! E ela fez uma homenagem muito linda no blog "Pinguinho de Tinta". Teca, você é show! Do nosso time, total!

As fotos ficarão expostas até o dia 04/04 no piso L4 do shopping Barra, está lindo demais! Pura emoção! E se ainda não assistiu ao clipe? Está lindo demais! Acesse aqui e se emocione com uma música linda gravada por um grupo maravilhoso (vou confessar: eu vibro mais nos shows do Canela Fina do que as crianças - ADORO).

E, porque nós somos sete e sete é um número cabalístico, abaixo o registro de um dia mágico para todas nós. Amo essas mulheres! Estar com vocês é sempre muito bom, vocês me completam! Amo todas!





Recalculando Rota*

A ideia de escrever esse texto surge de uma necessidade absurda de expressar a minha gratidão. Sim, esse é o sentimento mais marcante dessa...