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sábado, 7 de julho de 2012

Saudade eterna...

Minha saudade tem cor, minha saudade tem nome. E tem nome de flor: Rosa...

Hoje é um dia muito difícil e triste para mim. Perdi a minha avó querida. Aquela que me criou, que me ensinou tantas coisas, que puxou a minha orelha quando precisou, que me deu colo quando precisei...

E hoje, depois de uma noite sem muito dormir, acordei com a notícia de que minha vó estava aos poucos se despedindo dessa vida... E ela lutou tanto, mas o coração, aquele coração cheio de amor, aos 85 anos, se cansou... E minha avó descansou. Descansou daqueles dias tão complicados, sofridos, de angústia...

Eu já sentia aos poucos a despedida, em cada palavra dela, nos pedidos de oração, na gratidão explícita a cada um da família. Mas, a saudade que eu sinto agora, eu sei, nunca vai acabar... Tentava me consolar, confortar minha família, mas, apesar de ter consciência que esse momento estava próximo, agora que ele chegou, eu mesma não sei para onde olhar, não sei bem o que dizer... Acabou.

Minha avó é símbolo de amor, de união para todos da minha família. Mulher forte, mãe de oito filhos, avó de vinte e um netos (!!!) e bisavó de onze bisnetos. Amava a cada um e se alegrava com a presença de todos. Minha avó não era intelectual dos livros, mas era muito entendida da maior lição: de amor. E eu que aprendi tanto com ela, que vivi intensamente esse amor, com direito a muitas declarações explícitas de ambas as partes, agora só sinto um aperto no peito, uma saudade que dói.

Mas, rezo por ti minha querida voinha, para que seja acolhida como merece. Chegou a sua hora. Vou sentir muita falta, mas tenho esperança de um dia ainda te encontrar... Te amo, minha querida. Jesus, Pai de cheio de amor, recebe e acolhe com alegria a minha querida vó Rosa.

Meu primo, Vinícius, postou um vídeo ontem, no facebook, da cantora Maria Gadú cantando a música Dona Cila. E aqui, peço licença à compositora porque vou trocar o Cila por Rosa, já que essa canção diz tudo...

"De todo o amor que eu tenho
Metade foi tu que me deu
Salvando minh'alma da vida
Sorrindo e fazendo o meu eu

Se queres partir ir embora
Me olha da onde estiver
Que eu vou te mostrar que eu to pronta
Me colha madura do pé

Salve, salve essa nega
Que axé ela tem
Te carrego no colo e te dou minha mão
Minha vida depende só do teu encanto
"Rosa" pode ir tranquila
Teu rebanho tá pronto

Teu olho que brilha e não para
Tuas mãos de fazer tudo e até
A vida que chamo de minha
Neguinha, te encontro na fé

Me mostre um caminho agora
Um jeito de estar sem você
O apego não quer ir embora
Diaxo, ele tem que querer

Ó meu pai do céu, limpe tudo aí
Vai chegar a rainha
Precisando dormir
Quando ela chegar
Tu me faça um favor
Dê um banto a ela, que ela me benze aonde eu for

O fardo pesado que levas
Deságua na força que tens
Teu lar é no reino divino
Limpinho cheirando alecrim"

(Maria Gadú - Dona Cila)

Saudade que não tem fim...

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Viva São João!

Resolvi renovar meus sentimentos. Resolvi viver um recomeço... E sempre é cedo para isso! Aposentei a energia negativa de que as coisas não andavam funcionando. E como assim tudo isso aconteceu?

Bom, tudo começou no último sábado, quando Lucas me abriu um grande sorriso e eu pude perceber que mais dois dentinhos estão saindo! E olhei para o lado e vi um outro rapaz que ao vestir uma camisa percebeu que ela estava um tanto quanto justa em seu corpo. Sério,  por isso? Mas, não é  isso... Isso significa que os meus filhotes estão crescendo. E não dá para viver pensando em coisas outras que não digam respeito ao quanto eles tornam a minha vida mais feliz.

E isso bastou para que eu me sentisse melhor, para que eu esquecesse alguns pensamentos feios que andaram rondando a minha mente por alguns momentos. Arrependimento? Não. Foi só um momento. Aprendizado: este é o saldo. E isso me deixa muito satisfeita. Perceber que ao final (será que é mesmo) de tanta confusão, tanto desgaste eu me sinto uma pessoa melhor. Porque aprendi. Novas relações começam e eu estou muito orgulhosa de mim mesma por poder dizer que agora me sinto mais madura para um novo começo e por isso, tenho a sensação de que as coisas funcionarão melhor, mesmo que não dêem certo da forma que eu imagino ou espero...

Bom, lógico que além dessa percepção, um fim de semana pra lá de gostoso com os meus três amores me deixou com a energia renovada, me deixou revigorada!

Uma festinha de São João na praça, revivendo momentos gostosos ao lado do meu pequeno grande homem que corria feliz por aquele lugar que lhe é tão familiar e ao lado do meu amor e do meu grande bebê fizeram um fim de tarde de sábado feliz, com direito à caipira e tudo (o que eu não faço para convencer alguém a se caracterizar...). E uma tarde de domingo perto do mar, vendo o pôr do sol em um lugar mágico. Que delícia! A vida pode não ser perfeita, mas a natureza... E isso nos coloca no lugar de expectadores da vida, do tempo. Estamos aqui de passagem...

Ah, e por falar em São João, adoro! Adoro o clima, adoro as delícias (ô coisa boa!) e adoro as músicas, mas uma em especial: Volte logo, da banda Cacau com Leite. E essa tem sido a canção de ninar de Lucas há alguns dias e ele adora, encosta no meu ombro e juntos dançamos um forrózinho tão gostoso que só termina para ceder espaço a um soninho mais do que merecedor depois de um dia de tantas atividades e brincadeiras...

Agora, podem suspirar com os meus caipiras lindos de viver e FELIZ SÃO JOÃO!!! E para os meus filhotinhos: "O maior amor do mundo é o meu e ele é todinho seu..."






quarta-feira, 13 de junho de 2012

Quando julgamos...

O que julgamos ser óbvio
Quase nunca o é em verdade...

O que julgamos ser verdade
Quase nunca o é em absoluto...

O que julgamos ser absoluto
Quase nunca o é para sempre...

O que julgamos ser para sempre
Quase nunca vai além do amanhã...

O que julgamos ser até amanhã
Quase nunca chega até lá de fato...

Quando julgamos, quase sempre o fazemos com os nossos sentimentos...
E sem ter o conhecimento de todo o contexto, nos falta compreender o que seja a transitoriedade da vida...
Por isso, na maioria das vezes,  ERRAMOS...

Autor: Sérgio Rossetto.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Dani, Dani...

Aí que ontem eu conheci alguém que eu ansiava por conhecer... Uma menina linda, doce, meiga e cheia de amor no coração, cheia de paz, com um olhar que semeia a tranquilidade, que transmite sinceridade e a mais pura energia de gratidão, de reciprocidade.

Eu conheci Daniella e no meio de toda a agonia de procurar uma babá, de decidir com quem os meus filhos ficam enquanto eu trabalho, eu escolhi que sempre ia me lembrar do olhar de Dani e de sua voz me dizendo assim: "você é muito linda, eu te amo" e eu de cá, emocionada, porque sei que o que ela me disse foi sincero e verdadeiro. Porque eu sei que Dani se encantou comigo tanto quanto eu me encantei com ela...

Dani, minha querida, vou aguardar ansiosa o nosso próximo encontro e vou sempre lembrar de você com todo o meu carinho e emoção... Obrigada por tornar o meu dia ainda mais feliz...

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Novas pérolas

E nesse bafafá de procura por uma babá legal, estou eu no quarto me arrumando para sair e eis que escuto o meu rapaz de quatro anos falar: "Ô Nádia, por que Luquinhas está no colo? Você sabe que ele tem que engatinhar, né? Precisa ficar no chão. Ah, assim não vai dar..."

Quem guenta com isso? Só me restou rir um pouco dessa figura...

segunda-feira, 14 de maio de 2012

4 anos!

Hoje ao acordar (depois de ser levantado aos beijos e carinhos do papai, da mamãe e do irmão), meu filhote me olha e pergunta assim: “mãe, é hoje que eu tenho quatro anos, é?”... Lindo!
É sim, meu amor, hoje você completa quatro anos! E ele estava esperando tanto esse momento... Aliás, os coleguinhas da escola também! E foi uma comemoração muito animada. Mateus adorou, Lucas adorou a farra na escolinha, curtiu e explorou os espaços que lhe foram apresentados e nós ficamos muito satisfeitos com a alegria do aniversariante. Foi muito legal!
E, para quem parou e pensou: “Meu Deus, já! Como o tempo voa!”
É verdade mesmo, o tempo voa... Mas, de fato já passaram quatro anos do dia em que a minha vida mudou. Daquele dia em que eu deixei de ser apenas eu e me tornei eu e mais alguém. Quatro anos do dia que mudou a minha vida completamente. Porque o que eu era, não sou mais...
Parabéns meu filho querido! Mamãe te ama demais...

Parece que foi ontem...

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Dia das Mães

Lógico que eu não poderia deixar de escrever nesse dia, afinal, como bem disse a minha amiga Mano, a maternidade é especial... Não poderia faltar aqui uma homenagem a todas nós, mamães! Mulheres que escolhem viver outras vidas além das suas. Mulheres que escolhem deixar de ser apenas elas. Porque ser mãe é ser mulher e muito mais.

E quando eu penso no dia das Mães, penso logo em minha mãe. Naquela que cuidou de mim, que me fez chegar até aqui, que me inspira, que me ama incondicionalmente. Penso em tudo o que eu sinto pelos meus filhos e lembro que certamente é o que ela sente por mim... Penso nela e no quanto ela é importante para mim. Penso nela e em como ela me completa. Penso na minha linda mãe e em tudo o que eu sou. Penso na mãe que eu me tornei e em quantas vezes eu disse para mim mesma: “quando eu for mãe não vou fazer isso” e como hoje eu penso: “como foi bom ter minha mãe e me inspirar nela...” Coisas da vida. Vida que se repete. Diferentes personagens, histórias parecidas.

E cá estou eu, pensando na minha mãe e me pego lembrando de tantas mães importantes em minha vida: minha avozinha querida, linda e que eu amo tanto... Minha avozinha que me quer tanto bem... Minha avozinha que me ensinou tantas coisas, e como me lembro perfeitamente da força dela, da luta, da coragem, da batalha, do amor, do afeto.

Minha sogra, mulher forte, de fibra, decidida, lutadora, amorosa, carinhosa. E que me socorre tanto, me acolhe como filha e organiza tantas coisas em minha vida...

E cá estou eu escrevendo e ela, Mano, minha amiga entra e me pergunta: “venha cá, dia das mães, maternidade especial, não vai escrever nada?”

E Mano me faz pensar em outras mães e no quanto elas me inspiram. Quisera eu poder juntar tudo em mim: a assertividade de Cíntia, a sensatez de Duda, o bom humor de Beta, a liberdade de Milena, a amizade de Véu, a cumplicidade de Mano, a serenidade de Rosinha, a alegria de Ina, a criatividade de Jana Mascarenhas, a dedicação de Déa Rêgo, a amizade de Lary Ribeiro, a paciência de Rita, o carinho de Lara Atta, a graça de Ladys, a preocupação de Claudinha, a coragem de minha dinda...

Enfim, o que nelas sobra é o que deve ser comemorado nesse dia tão especial: o amor. Um feliz e lindo dia das mães para todas as mamães mais do que especiais!


segunda-feira, 16 de abril de 2012

Lar Vida

Hoje foi mais um daqueles dias inesquecíveis em minha vida. Hoje fui ao Lar Vida (www.larvida.org.br) levar algumas doações que arrecadamos no aniversário de Lucas - isso mesmo, nós comemoramos o aniversário dele no último sábado e pedimos aos convidados que levassem leite em pó e farinhas para mingau (já tinha entrado em contato antes para saber do que precisavam).

Desde que Mateus nasceu que eu penso em fazer isso. Mas, sabe lá Deus porque eu ainda não tinha conseguido realizar essa minha meta. Aí veio Lucas e o resto vocês já sabem... Lucas me trouxe missões além da missão de ser mãe dele e tenho certeza que estar no Lar Vida hoje é uma dessas missões.

Então, eu e Marcelo fomos lá. Com a mala do carro repleta de leite e farinhas para mingau que é o que eles estão precisando. E, não poderia ser diferente, saí de lá outra Vaneska. Com certeza um pouco diferente da que entrou.

Chegamos e logo procuramos a responsável pelo recebimento das doações que não estava lá e fomos guiados por Felipe - menino lindo, adolescente e deficiente visual - isso mesmo, um deficiente visual nos guiou até a pessoa que receberia as doações - lindo e emocionante. E então, descarregamos a mala do carro e seguimos para conhecer a estrutura do sítio - muito legal por sinal. Tinha algumas pessoas/crianças espalhadas, alguns sentados observando, outros nos seguindo, autistas, deficientes intelectuais, deficientes auditivos, pessoas com paralisia cerebral, microcefalias, hidrocefalias e uma menina com síndrome de Down (a única por sinal). No total, são mais de cem abrigados e acolhidos pelo Lar Vida. No caminho para o carro, ganhei um abraço de uma adolescente, Karine. Linda menina de longos cabelos.

Depois fomos conhecer a estrutura. Conhecemos o alojamento das meninas, a briquedoteca, os cavalos, a piscina, refeitório e ao final, conhecemos o alojamento dos "acamados". Não vou conseguir registrar aqui, certamente, toda emoção que senti ao descer aqueles degraus... Fui descendo e meu coração acelerando. Parecia que eu saberia exatamente o que iria encontrar... "Acamados", vocês já podem imaginar.

A emoção aumentava, o coração disparava e, confesso, precisei segurar as lágrimas. Adentrei o recinto e segurei na mão de cada um que estava acordado. Dei um belo sorriso e baixinho falei: "Deus te abençoe...". Tentei deixar um pouco do meu carinho, mesmo que por poucos instantes... Como retribuição, ganhei os sorrisos mais sinceros e lindos desse mundo. Sorriso de gratidão apenas por um toque, por uma palavra, por um momento. Depois andei mais um pouco e tinha um local onde algumas "crianças" aguardavam para serem alimentadas pelas cuidadoras (que alimentam um a um naquele recinto). E não resisti aos olhares pidões, tirei meus sapatos (tem um aviso bem grande) e entrei lá... Mais olhares encantados e cheios de gratidão com a minha presença. Mais uma vez, cheguei perto de cada um, olhei nos olhos e sorri. Foi muito forte. Ainda tive a linda oportunidade de pegar uma pequena nos meus braços e a levei em uma breve caminhada. Eu não poderia perder esse momento. Eu não poderia apenas assistir isso de longe, sem vivê-lo fosse como fosse.

Alguns quadros são de dar dó... "De cortar o coração". Mas, eu confesso que ao descer aqueles degraus, eu tive receio do que eu veria, mas não por causa da deficiência (muito ali eu nunca tinha visto em toda a minha vida), mas sim por causa da rejeição. Isso me corta o coração. E era por isso que eu tinha que segurar as lágrimas. Porque eu olhei cada pessoa daquela no fundo dos olhos e eu fiquei tão triste por saber que eles foram abandonados pelas famílias - seja lá por que for, foram abandonados. E, claro, graças a Deus, foram acolhidos por aquele lar, mas não consigo parar de pensar nessa rejeição. E como isso me entristece... Minha vida é tão repleta de amor por onde quer que eu vá... Espero ter conseguido deixar um pouco lá. Espero conseguir voltar logo lá, porque eu já saí cheia de saudade, mesmo sendo a primeira vez que estive lá. Porque eu nunca vou esquecer de cada um deles, porque não foram eles que ganharam com a minha presença. Fui eu que ganhei com aqueles sorrisos...

quarta-feira, 11 de abril de 2012

1 ano...

Duas postagens num só dia? Ah, mas essa não podia faltar hoje! Amanhã meu caçula completa o seu primeiro ano de vida.

Um ano de muitas conquistas, descobertas, lágrimas, decepções, aprendizado, alegrias, tristezas, dedicação, vitórias, derrotas, surpresas, despedidas, encontros e reencontros... Como em cada ano que todos vivemos, mas certamente com algo ainda mais especial: especial não por causa dos cuidados especiais que Lucas necessita. Especial porque depois de todo o choque, susto, medo, nós pudemos levantar do chão e dizer assim: tô disposto! Tô querendo, tô aqui pro que der e vier... Ainda damos muitos tropeções... A cabeça em alguns momentos não fica legal com tanta informação e com um tempo que parece exíguo em meio a tantas responsabilidades de todos os tipos (dois filhos, casa, trabalho, família, amigos, etc.).

Mas, chegar em casa e ganhar um sorriso, perceber o quanto ele me quer, me deseja, me espera, me alegra... Grata a um Deus em que creio e que preciso por me permitir ter forças mesmo depois dos momentos mais complicados, raros. Grata por ter um companheiro que me segura pelo braço e me mostra o quanto é parte ativa em toda essa história. Grata por um filho que acolhe (algumas vezes repele, risos) o irmão com carinho e interesse por cada descoberta e cada movimento. Grata por uma chefa-amiga compreensiva que me escuta, me aconselha, me acolhe, me cuida... Grata por cada pessoa que se dispõe me ajudar mesmo que em poucos momentos. Grata por Rita, por minha mãe... Minha mãe (suspiro)...

E Lucas completa um ano, lindo de viver! Engatinhando, estranhando, reconhecendo, aceitando, repelindo, falando "mãmã" fofo, pegando na cabeça quando a gente pergunta: cadê a cabeça? Mas, o mais lindo de tudo: Lucas é feliz. É perceptível sua alegria contagiante, sua disposição ao acordar, sua satisfação ao ser alimentado, seu sorriso mágico quando vê alguém que ama... E eu fico feliz por saber que mesmo que não consiga dar conta de tudo, eu consigo sim encher meu filho de carinho, de amor e de muitos, muitos beijos...

Parabéns meu filho. Que Deus te abençoe, te guarde, te ilumine e te proteja... Sempre.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Meu primeiro 21 de março - Parte II

Foi um dia muito corrido... Mas, gratificante! Emocionante! Esclarecedor!

De manhã, fomos, eu e Marcelo, assistir à Jornada Comemorativa do Dia Internacional da Síndrome de Down no CEEBA (Centro de Educação Especial da Bahia).

Chegamos um pouco atrasados, mas há tempo de assistir à palestra de Ivalda Gomes (fonoaudióloga) desde o início. Ivalda falou sobre comunicação na síndrome de Down e no autismo.

Quero parabenizar Val pelas palavras e pela bela apresentação. Muito necessária e esclarecedora. Eu gostei muito, mas não posso negar que por outro lado, fiquei um pouco tensa.

Sei pouco, ou quase nada sobre o autismo. Conheço algumas mães de autistas. Nunca havia convivido antes com autistas. Mas, antes até de Lucas nascer e agora ainda mais, esse tema me interessa muito. E eu estava ansiosa por essa palestra. Por que? Porque existe um grande número de pessoas com a síndrome de Down que também são autistas. E eu queria muito entender por que? Qual a relação, se é que existe uma. Mas, discorrer sobre o tema e sobre a palestra da querida Val merece um novo post. E já estou tratando de fazer isso.

Depois da palestra de Val, foi a vez da profa. Dra. Lilia Azevedo Moreira, geneticista, que explicou sobre as manifestações genéticas da infância à maturidade. Em seguida, a profa. Alzira Castro Gomes palestrou sobre Educação Especial e Inclusão na síndrome de Down: aspectos legais e funcionais e para finalizar, a querídissima amiga, mãe de Alvinho e de Lucas, Lyvia Borges falou (lindamente) sobre os avanços sociais na síndrome de Down.

As palestras foram todas ótimas, mas quero registrar a minha profunda admiração e respeito por essa mulher e mãe que é Lyvia e por sua luta diária pelo reconhecimento dos direitos, pela inclusão, contra o preconceito, seja ele qual for. Estamos juntas nessa!

Foi uma manhã muito especial, ao lado de pessoas queridas, aprendendo, conversando, trocando ideias. E, acima de tudo, fortalecendo os laços que os nossos pequenos tanto precisam.

E da fala de Lyvia, eu trago aqui uma frase que gostei muito: "Direitos iguais só com a legitimação das diferenças". Porque de nada adiantam leis, decretos, portarias e todo um arsenal legal para assegurar os nossos direitos. Mas, eles existem para que lutemos por eles, para mostrar a todos que de direito somos todos iguais, mas queremos o ser na prática.

Essa semana estou impossibilitada de me movimentar muito, tive uma fratura no dedo do pé direito (já estou bem melhor) e acabei sendo obrigada a ficar de molho, chato isso, mas fazendo o "jogo do legal" (risos), foi muito bom poder ficar com os meus pequenos esses dias (adoro!). Aí, hoje pela manhã acessando o facebook, encontrei algumas homenagens ao dia internacional da síndrome de Down de vários amigos e fiquei verdadeiramente emocionada. Fiquei muito feliz porque me senti querida, porque senti o quanto meu filho é amado e fiquei imensamente satisfeita por saber que essas pessoas também estão lutando para que o mundo perceba e reconheça a diversidade simplesmente porque o mundo é diverso. Obrigada meus queridos, sou muito feliz por ser amiga de cada um de vocês...


Meu "lôro"... Te amo, "meu porqueria"!


terça-feira, 20 de março de 2012

Meu primeiro 21 de março - Parte I

É verdade, no ano passado eu não fazia ideia de que no dia 21 de março é comemorado o dia internacional da síndrome de Down... E ainda na maternidade, Marcelo me contou sobre essa data e me disse assim: agora essa data faz parte do nosso calendário de comemorações.

Pois é, mais uma vez me senti triste por ignorar uma realidade, mas de jeito nenhum me culpei, muito pelo contrário, tive vontade de gritar para o mundo que, pelo menos nesse dia, todos estariam olhando para essa turma, preocupados com a qualidade de vida deles e lutando também para que eles sejam vistos como realmente são: pessoas como todos nós, com todos os seus direitos e deveres... Porque aqui em casa, e em algumas outras, nós estaremos nessa busca diariamente.

Por outro lado, estou muito feliz com tudo o que descobri nos últimos meses, principalmente porque todas essas descobertas fizeram de mim uma pessoa infinitamente melhor...

Já disse antes: acima de tudo, sou mãe e minha dedicação aos meus filhos é em todos os momentos. Vivo a maternidade intensamente e imensamente feliz por tudo o que ela me oferece, mas principalmente pela oportunidade de ver essas duas pessoinhas crescerem, se desenvolverem, desafiarem, descobrirem... E participo de tudo isso de perto, ativamente, fazendo parte; sendo coadjuvante dessas histórias de vida. Sou muito feliz por ter meus filhos ao meu lado e por aprender esse amor que cresce a cada dia...

Mas, como eu ia dizendo, amanhã nós comemoraremos o dia internacional da síndrome de Down. E pela primeira vez a data é reconhecida pela ONU e será devidamente comemorada em Nova Iorque com uma participação ativa do Brasil, o que me deixa extremamente feliz e orgulhosa.

A data foi instituída em 2006 e escolhida em alusão aos três cromossomos 21 presentes nas pessoas com a síndrome.

Como vocês viram eu coloquei o título da postagem "Parte I" porque amanhã temos um dia cheio e depois eu vou voltar para contar como foi e o que aconteceu.

Há pouco li um e-mail que recebi e fiquei com muita vontade de colocá-lo aqui, porque ele resume o meu sentimento e é muito, muito sensível e verdadeiro. E viva o dia 21 de março!

Um dia para comemorar.
20/03/2012 por Jô Bibas

Era uma vez um menino. Ou uma menina, tanto faz. O que importa é que a criança nasceu diferente. De quem? Das outras. Como todas.
A mãe pegou o seu bebê, levou para casa, apresentou aos irmãozinhos, amamentou, agradou, educou. O filho exigia mais cuidados, ela sabia, mas o assento para portadores de necessidades especiais no ônibus ela não queria não, obrigada. Nem o olhar de compaixão das pessoas que ia encontrando, nem a escola especial, não senhor.
Passada a primeira e necessária fase de estimulação precoce, ela pegou seu filho pela mão e entrou na creche com todas as outras crianças, na escola com todas as outras crianças, no parque, no cinema, na vida com todas as outras crianças.
Ele cresceu, recebendo a atenção, as terapias, os limites, a educação e o amor que toda criança merece. E assim foram, ele e sua família, contagiando quem com eles convivia: "veja só, ele pode!". "Quem diria, ele consegue!", "Ele, com as outras crianças? Claro, por que não?". O menino (ou menina, tanto faz) é uma criança que o mundo finalmente está começando a perceber como realmente é: uma criança.

No dia 21 de março se comemora no mundo inteiro o Dia Internacional da Síndrome de Down, a partir de 2012 reconhecido pela ONU. Celebre reconhecendo que crianças, jovens e adultos com SD podem ter uma vida plena, com escolaridade, trabalho e lazer. Como todos nós.
Muito do que somos é resultado do que se espera de nós e das oportunidades que recebemos. Olhe de um novo jeito para pessoas com Síndrome de Down. Acredite. Permita. Inclua. De verdade.

(grifo meu)





sexta-feira, 9 de março de 2012

Batizamos Luquinhas!

Pois é, foi no último 25 de fevereiro. Uma bela manhã de sábado. Fomos todos à Igreja para essa celebração que, para nós, é muito especial.

E foi uma beleza. O rapazinho se comportou muito bem (como já é de costume) durante todo o tempo, mas acabou cochilando nos braços da dinda e bem na hora do "banho". Imaginem! Eu fui acordando ele aos poucos e na hora que o padre chamou pelo nome dele, nós fomos e deixamos ele olhando para a água. Então que ele viu na pia batismal aquela coisa (a água) que o deixa tão alegre e começou a brincar. O celebrante não perdeu tempo e o molhou dizendo: "Lucas, eu te batizo em nome do Pai..." e Lucas abre o maior berreiro! Chorou um pouco e prosseguimos até o final com algumas lágrimas. Mas, foi lindo. E eu fiquei muito feliz e emocionada.

Feliz e emocionada porque, como já disse antes, essa é uma celebração importante para mim.

Feliz e emocionada por olhar nos olhos dos padrinhos do meu filho e perceber todo o orgulho que eles estavam sentindo.

Padrinhos eleitos pelo coração; pela amizade; pelo carinho e pela cumplicidade. Assim como os de Mateus!

A escolha do padrinho foi de Marcelo. E ele escolheu "Kiko", amigo de muitos anos e de longa caminhada. Que mesmo em alguns momentos distante, é sempre próximo. Marcelo batizou Vicky, a filha de Kiko há dez anos atrás - já eram compadres.

E a escolha da madrinha ficou por minha conta. De coração eu já sentia quem seria, mas só anunciei após o nascimento de Lucas, ainda na maternidade. E naquele momento, às lágrimas, sabia que tinha feito uma bela escolha. Afinal, essa dinda ama demais o meu filhote e eu amo demais também a minha querida cunhada, Renata - Natty desde sempre.

Depois da celebração na igreja, comemoramos com um almoço em família. Além do batizado, no dia anterior foi aniversário do papai. Então, a festa foi ainda mais completa!


 Os dindos

 Meu gatão, lógico, também estava lá todo lindo pra variar!

 O bolo, by Deli Delícias - lindo e uma gostosura!

 As lembrancinhas - By Cléo

 Detalhe do bolo

 O mini bolo ficou para o papai!

Pessoas lindas - viva o papai querido! Viva!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

10 meses!

Meu amorzinho está crescendo... 10 meses. Tão rápido os nossos filhos crescem. Quando a gente se dá conta, lá estão eles fazendo coisas que a gente nem imagina. E muitas vezes nem vê, nem percebe.

A criança cresce a cada segundo. O tempo todo elas estão aprendendo e apreendendo. E eu que sou mãe de dois filhos especiais, mas um com a síndrome de Down, como bem disse uma mãe em um grupo que participo, percebo ainda mais o desenvolvimento de Lucas.

Isso porque, como já dito antes, no caso de uma criança sem nenhum comprometimento físico ou intelectual, a gente espera que ela consiga executar os movimentos mais ou menos em um determinado tempo que é padrão, por exemplo engatinhar entre os 8 e 10 meses, andar entre os 10 e 15 meses, etc. 

Em casos em que há um comprometimento é um pouco diferente. A criança necessita de estímulos especiais, precisa aprender a organizar os movimentos, a organizar a postura. Por isso, como já mencionei antes, fisioterapia, fonoaudiologia, e etc. E quando essa criança faz o movimento certo, organizado, a alegria toma conta de nossas vidas... Vou relatar algumas etapas de acordo com a nossa realidade e a de Lucas, a da síndrome de Down. A gente comemorou com um misto de lágrimas e sorrisos quando Lucas sustentou a cabeça sem apoio. Foi uma alegria imensa perceber o nosso filhote controlando a cervical e sem nenhuma ajuda conseguir olhar para tudo ao redor e de um lado para o outro. Isso aconteceu por volta dos 3, 4 meses, ou seja, nem com tanto atraso assim. Mas, foi mágico, foi lindo. Eu disse antes que vivi outra realidade, a de uma criança sem comprometimento e não lembro exatamente quando Mateus sustentou a cabeça... Injusto isso? Não sei, não vou ficar aqui me culpando por ter dado pouca atenção ao desenvolvimento do meu filho, mas me pego pensando nisso e refletindo sobre como a gente dá pouca atenção a essas coisas que são mágicas na vida de qualquer pessoa. E olhe que eu sou uma mãe muito participativa e no caso de Mateus, cuidei dele sem o apoio de nenhuma babá (só eu e o papai) durante 8 meses... Então, presença não faltou.

Não posso negar que a gente fica realmente na expectativa... E vendo Lucas conquistando espaços, se interessando pelas coisas e pessoas, estranhando outras, reclamando quando não está confortável, nos deixa muito felizes e satisfeitos com as possibilidades que ele demonstra que tem. Em nenhum momento nós achamos que ele seria incapaz, mas nós sabemos que ele precisa ultrapassar um obstáculo um pouco mais complicado do que Mateus. Nós sabemos que a hipotonia e a frouxidão dos ligamentos é um desses obstáculos, mas sabemos também que isso não é impeditivo. Por isso, nós comemoramos. Porque a gente vê o esforço e o trabalho de Lucas para conquistar, para superar as dificuldades.

É mágico também ver Lucas batendo palmas (sempre que o papai chega, ele comemora com palmas ou quando a gente entoa o cântico “parabéns pra você) ou levantando a mãozinha e balançando um tchau desengonçado (lindo!) para se despedir toda vez que alguém sai de casa. Aliás, loucura de Luquinhas por esse pai e por esse irmão... Amor que cresce a cada dia.

Quando Lucas sentou sozinho, sem apoio, aos 8 meses foi mais uma alegria. Dessas de tirar o fôlego. Só que antes ele não conseguia se apoiar corretamente com as mãos no chão, evitando cair deitado, por causa dos bracinhos curtinhos, Lucas acabava caindo. Agora ele consegue se sustentar e se sente que vai despencar, logo coloca a mãozinha no chão contendo o movimento. Ele também se coloca na posição de gato, balança e volta. Senta direitinho e bem organizado. Tá lindo o nosso Luquinhas. Um orgulho danado desse rapazinho de 10 meses...

Viva Luquinhas! Viva!!!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Divulgando - Primeiro Dia Internacional da Síndrome de Down na ONU terá forte presença brasileira

O primeiro Dia Internacional da Síndrome de Down oficial será celebrado na sede da ONU em NY, em 21 de março de 2012 (21/03), com a Conferência “Construindo o nosso futuro”.
Educação inclusiva, participação política, vida independente e pesquisas científicas são alguns dos tópicos que serão discutidos por auto-defensores, além de especialistas na síndrome, representando todos os continentes.
O Brasil estará fortemente representado por jovens da Associação Carpe Diem de São Paulo, que foram convidados para lançar o livro de sua autoria “Mude o seu falar que eu mudo o meu ouvir”, um guia de acessibilidade na comunicação para pessoas com deficiência intelectual. A publicação é a primeira no gênero de que se tem notícia no mundo e terá versões em português e inglês. As ações pela promoção da inclusão em parceria com a mídia do Instituto MetaSocial, da campanha Ser Diferente é Normal, em comerciais e novelas, entre outras, e as comemorações do Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado no Brasil desde que foi lançado em 2006, também terão destaque. Tathiana Heiderich, repórter do programa Ser Diferente contará sua experiência na TV.

Fonte: http://www.inclusive.org.br/

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O futuro é plantado a cada dia!

Tanto tempo sem escrever... É que os últimos dias não têm sido nada fáceis... Rotina pesada essa minha! Mas, vamos que vamos!

Na última segunda-feira as férias de Mateus acabaram... De volta à rotina escolar, aliás, eu já estava doida por isso, porque menino em casa, os pais trabalhando o dia todo só pode resultar em energia acumulada! E o meu pequeno já estava cansado de ficar em casa, já estava até pedindo para ir ver tia Romilda (a pediatra), pense!

Enfim, recomeçamos e como eu já esperava... Com alguma resistência. Mateus vai o caminho todo sempre empolgado, contando mil coisas, planejando outras mil, mas quando chegamos na escola, ele olha para mim e diz: mãe, quero voltar para casa!

Ai meu Deus, e eu fico naquela situação... Converso com ele, digo tudo que ele tinha planejado, mas olhar todas aquelas crianças, disputar brinquedos e atenção não deve ser mesmo uma tarefa muito fácil... Mas, fa z parte! Então, eu brinco, tento distraí-lo, sento no chão e o tempo vai passando. Meu filho não é convencido facilmente, então a mamãe sai e o filhote fica chorando... Eu fico, confesso, arrasada com essa despedida. Sei que é assim mesmo, na teoria é fácil, mas na prática... Haja coração!

Mas, eu saio, preciso trabalhar... E ligo minutos depois para saber se ficou tudo bem! A secretária vai lá, olha e volta com um feliz retorno: mãe, ele já está com a turma, ouvindo história. Ufa!

É isso mesmo, recomeço, um novo ciclo, uma nova pró, alguns novos coleguinhas, uma nova rotina. Eu o entendo perfeitamente, mudar não é nada fácil. Muito melhor é ficar protegido em nosso cantinho. Quem está sentindo falta demais é o irmão que teve essa companhia durante todo o dia por quase dois meses e agora está procurando, sente falta na hora do almoço (Mateus almoça na escola) e quando o irmão chega, Lucas grita de alegria, bate palmas e fica muito, mas muito feliz - a coisa mais linda de ver esse amor que ele nutre pelo irmão - parceria que só faz crescer!

E por falar em escola, a que eu escolhi para os meus filhos (sim, para os dois, porque em breve Lucas estará lá também) respeita a infância e valoriza cada momento, por isso, li o texto que posto abaixo e tive ainda mais certeza de que o que eu quero para os meus filhos é que eles sejam felizes e nada como uma escola que busca proporcionar bons momentos para as crianças que por lá convivem.

Concordo demais com as palavras de Rubem Alves e se com Mateus eu já pensava assim, depois de Lucas tenho ainda mais certeza de que devemos sim ensinar aos nossos filhos que eles devem ter responsabilidade com suas vidas, dar limites, mas acima de tudo, preencher a vidinha deles com amor e curtir muito esse momento que é a infância. Não tem como não viver dias felizes com essa receita... O futuro é plantado a cada dia!


A inutilidade da infância


O pai orgulhoso e sólido olha para o filho saudável e imagina o futuro.

Que é que você vai ser quando crescer?

Pergunta inevitável, necessária, previdente, que ninguém questiona.

Ah! Quando eu crescer, acho que vou ser médico!

A profissão não importa muito, desde que ela pertença ao rol dos rótulos respeitáveis que um pai gostaria de ver colados ao nome do seu filho...Engenheiro, Diplomata, Advogado, Cientista...

Imagino um outro pai, diferente, que não pode fazer perguntas sobre o futuro. Pai para quem o filho não é uma entidade que “vai ser quando crescer“, masque simplesmente é, por enquanto...

É que ele está muito doente, provavelmente não chegará a crescer e, por isso mesmo, não vai ser médico, nem mecânico e nem ascensorista...

Que é que seu pai lhe diz? Penso que o pai, esquecido de todos “os futuros possíveis e gloriosos“ e dolorosamente consciente da presença física, corporal, da criança, aproxima-se dela com toda a ternura e lhe diz: “se tudo correr bem, iremos ao jardim zoológico no próximo domingo...”

É, são duas maneiras de se pensar a vida de uma criança. São duas maneiras de se pensar aquilo que fazemos com uma criança.

Eu me lembro daquelas propagandas curtinhas que se fizeram na televisão, por ocasião do ano da criança com deficiencia.

E apareciam lá, na tela, as crianças e adolescentes, cada uma diferente a seu modo, com síndrome de Down, paralisia cerebral, com deficiencia visual, e aquilo que nós estávamos fazendo com eles... Ensinando, com muito amor, muita paciência.

E tudo ia bem até que aparecia o ideólogo da educação dos deficientes para explicar que, daquela forma, esperava-se que as crianças viessem a ser *úteis*, socialmente...

E fiquei a me perguntar se não havia uma pessoa sequer que dissesse coisa diferente, que aquelas escolas não eram para transformar cegos em fazedores de vassouras, nem para automatizar os deficientes para que aprendessem a pregar botões sem fazer confusão...

Será que é isto? Sou o que faço? Ali estavam crianças diferentes, "não-seres" que virariam "seres sociais" e receberiam o reconhecimento público se, e somente se, fossem transformados em *meios de produção*.

Não encontrei nem um só que dissesse: “através desta coisa toda que estamos fazendo esperamos que as crianças sejam felizes, dêem muitas risadas, descubram que a vida é boa...

Voltamos ao pai e ao seu filhinho leucêmico. Que temos a lhe dizer? Que tudo está perdido? Que o seu filho é um *não-ser* porque nunca chegará a ser útil socialmente? E ele nos responderá: “mas não pode ser... Sabe?
Ele dá risadas. Adora o jardim zoológico. E está mesmo criando uns peixes, num aquário. Você não imagina a alegria que ele tem, quando nascem os filhotinhos."

De noite nós nos sentamos e conversamos. Lemos histórias, vemos figuras de arte, ouvimos música, rezamos... Você acha que tudo isto é inútil? Que tudo isto não faz uma pessoa? Que uma criança não é, que ela só será depois que crescer, que ela só será depois de transformada em meio de produção?“

Claro, se a coisa importante é a *utilidade social*  temos de começar reconhecendo que a criança é inútil, um trambolho. Como se fosse uma pequena muda de repolho, bem pequena, que não serve nem para salada e nem para ser recheada, mas que, se propriamente cuidada, acabará por se transformar num gordo e suculento repolho e, quem sabe, um saboroso chucrute?

Então olharíamos para a criança não como quem olha para uma vida que é um fim em si mesma, que tem direito ao hoje pelo hoje... Reconheçamos: as crianças são inúteis... Uma sonata de Scarlatti é útil? E um poema? E um jogo de xadrez? Ou empinar papagaios? Inúteis. Ninguém fica mais rico. Nenhuma dívida é paga. É que, muito embora não produzam nada, elas produzem o prazer.

O primeiro pai fazia ao filho a pergunta da utilidade: “qual o nome do meio de produção em que você deseja ser transformado?“

O segundo, impossibilitado de fazer tal pergunta, descobriu um filho que nunca descobriria, de outra forma: “vamos brincar juntos, no domingo?“

*Com base no livro de Rubem Alves "Estórias de quem gosta de ensinar".*

domingo, 15 de janeiro de 2012

Momento "Férias"


Agora vocês vão saber porque me ausentei por tanto tempo: depois da minha licença maternidade, fiquei apenas 20 dias de férias e não 30 como normalmente todo mundo faz. Mas, foi por um bom motivo: deixei os outros dias para curtir com o meu primogênito (claro que meu pequeno Luluquito se aproveitou disso também!).

E foi então que dois dias após a virada de ano, nós pegamos o  ferry em direção à ilha. Eu, Mateus, Lucas, Tia Cíntia, Peu e Dudinha (com as babás, claro) fomos com o objetivo de muita diversão durante uma semana na ilha, na casa da vovó. Os papais chegaram dois dias depois para incrementar ainda mais a semana de diversão!

A viagem de ida foi super tranquila (correria mesmo é para arrumar tanta bagagem!), mesmo sem passagem nós conseguimos embarcar menos de uma hora depois que chegamos na fila de veículos. (Sinceramente, não sou muito fã da ilha, já gostei mais, mas a agonia na fila do ferry me deixa bem cansada e aquela confusão, aquela bagunça que meus conterrâneos fazem me deixam um pouco desanimada...) Enfim, ainda bem que tudo passou rápido, graças a Deus!

Logo que chegamos, a folia estava pronta: os meninos ansiosos pela sonhada piscina e toda a diversão que ela promete. Até Lucas se esbaldou nessa farra (claro que por poucos minutos).

Para mim foram dias diferentes (não exatamente de descanso), mas de muita satisfação por estar o tempo todo com os meus pequenos – isso me ilumina! E nem mesmo os contratempos tiraram a magia daqueles momentos. Ver como Mateus está esperto, danado, desafiador (nadando sem bóia – mostrando que está aprendendo direitinho nas aulas de natação) e feliz. Mateus estava feliz demais, curtindo cada momento, cada situação – se mostrando cada vez mais independente. Fiquei muito orgulhosa do meu homenzinho (aliás, muito breve vou trazer um novo post com as pérolas desses dias).

E meu Luluquito... Todo lindo, satisfeito por estar em família. Vivendo cada momento, participando de tudo, exceto quando estava dormindo, e curtindo demais também. Levei ele à praia e tomamos um banho rápido, com direito à chuveirada e uma mamada logo depois – que acho que foi o que ele mais curtiu!

Aliás, foi lá que Lucas bateu uma das metas de tia Val (a fono): bateu palmas sozinho pela primeira vez ao som do “parabéns pra você” que estamos treinando diariamente – e foi lindo e emocionante! Fiquei emocionada demais com mais esse passo do meu pequeno. E não foi só: lá também o meu filhote começou a mandar beijos – fiquem daí imaginando a boca mais linda fazendo a maior careta para finalizar com um sonoro beijinho – coisa linda da mamãe!

Ainda não postei aqui, mas Lucas já senta sozinho, sem apoio e agora em posição de gato, ele balança tentando se mover engatinhando, mas ainda está um pouco inseguro. Na posição, já senta sozinho. Apóia as mãozinhas e tanta pegar os objetos (ou as pessoas) que deseja.

Foi bom demais ficar esses dias na companhia da minha turminha. Ah, e lógico que foi bom demais também ter a companhia adorável dos primos Peu e Dudinha, da tia Cíntia, do papai e do dindo (de Mateus) – meu querido cunhado Vene. Nos divertimos à beça! E rimos bastante com as pérolas dessa turminha que a cada dia nos ensina muitas coisas, mas principalmente a amá-los ainda mais!











sábado, 31 de dezembro de 2011

FELIZ 2012!!!

Enfim consigo escrever... Os últimos dias foram ainda mais corridos do que os outros desde que eu voltei a trabalhar. Fiquei louca de vontade de escrever para desejar um Feliz Natal, mas como resolvemos comemorar em nossa casa, não consegui ligar o computador...

Espero que o Natal tenha sido especial em todos os sentidos para todos e que o principal tenha sido lembrado em meio a tantos presentes e confraternizações!

Por aqui o Natal foi muito legal: foi o primeiro Natal de Lucas (que dormiu logo cedinho), Mateus agora bem mais participativo e empolgadíssimo com as presenças (e os presentes que elas trazem, claro) e o primeiro Natal comemorado em nossa casa. Deu trabalho, lógico, mas foi muito legal e muito gostoso. Adoro reunir a família para comemorar, conversar, estar junto. Isso me deixa super empolgada!

Mas, agora um novo ano chega... Sempre achei muito engraçada essa coisa de à meia-noite todo mundo brindar e se abraçar, comemorando a chegada de um novo ano, que na verdade é um novo dia, assim como todos os outros que vão e que vem... Calma, não estou aqui para tirar a "magia" desse dia, muito pelo contrário, eu também adoro essa comemoração.

Tentei fazer um balanço de 2011, tentei lembrar de tudo que me aconteceu esse ano que acaba daqui a pouco. Tentei lembrar de tudo que me deixou triste, de tudo que eu não consegui fazer, de tudo que eu me prometi, de tudo que me deixou feliz, de tudo que eu consegui fazer. Pensei muito sobre que momento estou vivendo e o que quero fazer, o que quero realizar. Meus planos de curto e de longo prazo.

Me senti imensamente feliz quando pude comparar aquilo que planejei com o que eu consegui realizar, porque percebi que mesmo com tantas coisas fora do planejado, a minha vida seguiu feliz e eu consegui sim fazer muitas coisas que eu queria!

Foi o ano em que Mateus aprendeu tantas coisas novas e hoje interage lindamente, nos trazendo as suas percepções, as suas impressões e nos contando as coisas, contando sobre a escola, os amigos. Aprendeu tanta coisa o meu rapazinho... Meu filho está crescendo... LINDO! Cada momento ao lado dele é mágico demais.

Foi também o ano em que meu segundo filho, meu Luluquito nasceu... E me trouxe uma surpresa danada. Me trouxe uma nova realidade de vida, um novo mundo, novos amigos, novas descobertas, mas acima de tudo, meu filho trouxe ainda mais amor para a minha vida.

E Lucas me fez enxergar um mundo próximo, mas que eu não conhecia, que eu não convivia. Lucas me fez aprender com cada movimento, a importância de esperar. A importância de dar autonomia aos nossos filhos. Deixar que eles façam; que eles tentem.

Lucas me ensina a cada dia a ser mãe dele e de Mateus. Lucas me ensina a perceber a diversidade ao meu redor. E se antes eu me sentia triste por não perceber muitas dessas coisas, hoje eu me sinto imensamente feliz. Feliz por ter a oportunidade de conhecer tantas coisas e pessoas, por aprender. Por amadurecer.

Em alguns momentos me sinto mais velha, mais cansada, estressada e até louca, fico um pouco angustiada por não conseguir dar conta de tudo... Mas, depois de um ou outro desabafo, tudo passa. e aí eu percebo o quanto é importante ter as pessoas ao meu lado me ouvindo e me ajudando.

Foi um ano em que chorei muitas vezes. Chorei por não estar esperando uma ou outra notícia, chorei por não me sentir preparada, chorei porque nem sempre consegui dar conta de tudo, chorei porque me decepcionei com uma pessoa, chorei porque me senti traída...

Mas, acima de tudo, fiquei feliz demais por me sentir amada, acolhida, por saber que eu tenho uma família incrível, um companheiro maravilhoso que está sempre ao meu lado, para não me deixar descer do salto, por estar comigo e me trazer as palavras que eu preciso ouvir, por me trazer a serenidade que eu preciso ter para resolver as coisas com tranquilidade.

Feliz demais em poder acompanhar de perto o desenvolvimento de meus filhos com todas as vitórias que eles conseguem alcançar diariamente.

Feliz demais por ter meus pais, pessoas de quem tanto me orgulho e que mesmo com alguns momentos difíceis, estão ao meu lado... Que me dão colo quando eu preciso, que estão sempre próximos e prontos para me abraçar...

Feliz demais por ter minhas irmãs, eternas companheiras, que mesmo com algumas discordâncias, são minhas amigas e estão totalmente no meu time!

Feliz por ter minhas amadas amigas e mais, por ter conhecido tantas outras amadas amigas...

Feliz com o meu trabalho e com a minha equipe linda! Temos muito a andar...

Enfim, a vida é feita de bons momentos, mas também de momentos tristes e é com muita alegria que espero tudo aquilo que 2012 me trará: bons e maus momentos. O que me deixa tranquila é saber que tenho amor de sobra e que é isso que faz com que os maus momentos sejam breves e que deles restem apenas o aprendizado e talvez algumas cicatrizes. E para mim, o mais importante de 2011 foi perceber ainda mais forte a presença de Deus em minha vida, ao meu lado. Foi ver que a minha fé pode ser e sempre é maior. Agradeço a Deus por cada momento, por cada pessoa, por cada vitória, por cada derrota e o aprendizado que a ela é inerente. Agradeço a Deus por todos os sinais que Ele me envia.

E é isso que eu desejo para cada um em 2012: que mesmo com as dificuldades, possamos perceber que cada momento nos traz lições preciosas. Desejo que em 2012 a gente viva em um mundo mais fraterno, mais solidário, mais humano. Um mundo que aprenda a cada dia a respeitar a diversidade...

Feliz 2012 para todos!

Agora, não poderia deixar de trazer registros de alguns momentos do Natal - sei que vocês adoram! Taí meus amores lindos:





terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Encontro Mágico

Depois de muito sonharmos, finalmente conseguimos concretizar o nosso primeiro encontro. Desde a primeira reunião na Ser Down, que idealizávamos esse momento.

Eu e Cynara (mãe de Arthur), no início, ficamos imaginando como, onde, quando, etc. Mas, naquele momento, por outros motivos não conseguíamos nos organizar.

Até que Sheila (mãe do Ernesto) trouxe a ideia da criação do grupo Bahia Down e seguiu em frente moderando a turma. Aos poucos fomos nos apresentando, nos conhecendo, nos comunicando e enfim, sinalizamos a possibilidade de nos encontrar. Pensamos então em uma confraternização natalina. Mas, o como, onde, e o quando continuavam nos "rondando"... Todo mundo envolvido com os afazeres do dia a dia, diversas confraternizações, dentre outras obrigações que nos cercam...

Foi então que pensamos em um "simples" piquenique no parque... "Simples" porque nós sabíamos que mesmo com pouca "pompa" esse encontro seria magnífico! A organização foi simples sim. Cada um combinou de levar um prato e uma bebida, além de toalhas e descartáveis. Marcamos para o último dia 17 de dezembro, um sábado às 15h no parque de Pituaçu.

Gente, eu fiquei muito ansiosa... Pensava nisso o tempo todo. E justo na semana do nosso encontro, a chuva resolveu aparecer... Fiquei angustiada... Mas, foi reza braba, simpatia e muita, mas muita energia positiva e enfim, deu tudo mais do que certo...

Nos encontramos conforme combinamos. E foi... LINDO! Foi MÁGICO! Foi um momento único em minha vida e tenho certeza que nas vidas de todos os que estavam presentes.

Muita gente, as crianças todas curtindo cada momento, os lanches mais do que gostosos (com direito a formigas e tudo, porque elas não podem faltar num piquenique!).

E cada um que chegava era uma alegria imensa, uma emoção, todo mundo conversando, trocando experiências... As presenças maravilhosas de Igor, Uli e Lais, os mais velhos daquela turma, abrilhantando e mostrando para todo mundo do que eles são capazes... Fiquei encantada. Fiquei emocionada.

Ver o carinho de cada filho com os seus pais, ver a participação ativa dos irmãos... E como eles estão entrosados e envolvidos (Manuela, Guilherme, Maria Júlia e meu pequeno Mateus) foi muito especial. Ver aqueles pais... Gente, vocês não imaginam... A atmosfera de amor, de cumplicidade era visível. Todo mundo é acostumado a ver o amor e dedicação de mãe, mas vocês precisavam ver o amor e a dedicação de cada um daqueles homens... Lindos! Estou tão orgulhosa de fazer parte dessa turma. Tão feliz por saber que estamos juntos... Porque juntos nós vamos longe, juntos nós somos mais...

Foi bom demais. Parabéns a cada um que fez esse momento acontecer! (Juro que depois posto mais fotos!)


domingo, 11 de dezembro de 2011

Texto perfeito


Gente, li hoje um texto que gostaria muito de compartilhar com vocês. Muito, mas muito legal!

Pessoas sem poros, paisagens sem brisas

Por Lucio Carvalho

Chega o fim-de-ano e uma compulsão antiga, a do envio massivo de textos e mensagens de auto-ajuda, me fazem voltar a buscar na simplicidade de suas ideias o único sentido da vida, que sempre vem bem embalado nesses textos, prontos para o consumo. Com o reforço das redes sociais, ficou praticamente impossível resistir a eles. Então é melhor relaxar e deixar que comecem a desfilar diante dos olhos longas e sábias palavras de poetas antigos, frases rápidas e absolutas de poetas modernos, receitas de como buscar a felicidade e fórmulas comprovando a sua existência. E eu as vou devorando, convencido de que minha vida será modificada ao conhecê-las. Não posso nem irei perder nenhuma delas.

Não há nada mais legítimo, na vida, que procurar seu sentido, sua substância. É uma habilidade intrínseca do ser humano, o questionamento, e foi o que fez com que ele sempre andasse a buscar o que não tinha, ser o que não era, mudar o que não lhe satisfazia, e por aí vai. De certo modo é o que está a ser buscado ainda, em sondas que enviamos aos confins do nada, universo afora, e em imagens que flagramos do minúsculo invisível aos próprios sentidos. A impressão é de que a investigação é sempre melhor que o resultado. Ainda somos como os caçadores de Lascaux, absortos pela busca. Atentos a cada detalhe, mas com o foco fixo no que nos falta.

Uma das outras formas de ser atingido pela auto-ajuda, e em cheio, são as imagens. Alguns dizem que apenas uma delas vale por mil palavras, às vezes. Outras vezes as imagens nos deixam sem palavra alguma, como as crianças somalis, os animais que mimetizam o comportamento humano, as estatísticas da nossa ocupação no planeta e o saldo das diferenças entre os descendentes do tronco de Adão e Eva, as tão conclamadas diferenças. São imagens impressionantes, mas que nos incomodam bem pouco, porque se trata sempre de um real remoto, uma virtualidade serializada e tão presente quanto os anéis de Saturno. Na nossa vida, são espécies de exceção que compartilhamos sem parar, e nos enviamos a todos, assim como a todos nos estranhamos e reconhecemos, numa dinâmica que nos leva de roldão a algum lugar ou a lugar nenhum, ou todos ao mesmo lugar.

As grandes novidades do ano, a essa altura, já estão bem velhas. Ninguém mais lembra delas. São como tótens de ocasião, flagrados em alta definição. São imagens de um tsunami de fatos, onde o passado se fixa, mas que não se pode acessar a não ser por contemplação. São pessoas sem poros e paisagens sem brisa. Os escândalos foram escandalosamente escondidos sob as fitas de vermelho do Natal e o presente mais clamado, o intangível tempo, oferecemos em sacrifício a tudo do que não abdicamos: notícias, alôs, e-mails, acenos, afagos, auto-afagos, auto-ajuda. E então ei-la aqui, mais uma vez, a auto-ajuda e sua impossibilidade semântica.

Mesmo impossível, não há quem abdique definitivamente da auto-ajuda ou liberte-se sem cicatrizes do auto-engano (ou dos grandes engodos). Precisamos e cada vez mais de uma mensagem-expediente com o poder de produzir versões da realidade, desejos, interesses sociais e até ideais particulares. Somos esse eu constante e coletivo que balança na cauda longa dessa época horizontal, mas ainda habitada por mitos ou fantasmas que não calam-se, apesar do tempo e das novas novidades. A auto-ajuda é um remédio poderoso para a solidão desses tempos. Através dela, mantemos a ilusão da auto-suficiência e podemos até negligenciar o outro sem culpa, pois ela ensina que o eu é o bastante, mesmo que seja sempre preciso dizer isso a alguém. A auto-ajuda é o fim, sem perplexidade, da ajuda, do entender, da disponibilidade. Mas ainda há poucos que percebem que ela não é a solução nem o segredo, mas o próprio problema e o escracho da indiferença.

Enquanto sou avisado que uma nova mensagem está chegando, calculo onde e como ela irá me atingir. Se em culpas que não tenho, se no tempo que perdi por gostar de simplesmente sentir o vento em meu rosto, caminhando pelas ruas, com os demais, igual a eles. Já sei: essa mensagem vai me dizer que tudo é especial, mágico, nada é comezinho, inútil, em vão. Vai me dizer: seja você mesmo, mas eu não quero ser “mais” eu mesmo do que já sou. Tenho a vontade imediata de responder: não, não seja você mesmo. E já que a transmutação de corpos é inviável, vou insitir em tentar me colocar no lugar do outro ou, pelo menos, em não deixar de reconhecer sua identidade e trajetória, buscando outros pontos de vista, desacomodar-me das próprias crenças e do próprio conforto, levar-me pelo assombro e pela magia que há nos olhos dos outros e sua experiência.

Assim como eu não posso me auto-ajudar, mas posso pedir ajuda, também não irei ser mais eu mesmo (como se antes eu tivesse sido outro), minhas ideias serão apenas ideias entre ideias, meus sentimentos apenas um modo peculiar de perceber a vida (aos quais, por matutice, me reservo a exclusiva tutela), meus sonhos continuarão a ter o mesmo valor dos sonhos alheios, e serão ainda apenas um trecho de todos os sonhos do mundo. Enquanto não podemos sonhar (ou viver) juntos, precisamos mesmo de auto-ajuda. E muita. Mesmo que em mensagens destinadas ao mundo inteiro. Por isso, não abro mão de nenhuma delas. E vou até o fim.

Fonte: O Autor/Inclusive

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Vaneska e Marcelo: 13 anos juntos!


Se eu olhar pra trás

Verei na minha estrada
As curvas e atalhos
Onde, às vezes, me perdi


E onde eu também achei
O meu maior presente
Aquele que eu guardo
E vivo a cada amanhecer


Foi você quem deu
Ou quem soube, ao menos, me mostrar
Uma imensidão de cores no olhar


Foi você quem leu
O que já estava escrito em mim
E me ajudou a descobrir
O amor que hoje eu levo dentro do meu peito

É o meu maior presente

O amor que me faz cantar
E que me leva a qualquer lugar, o amor 



(Meu maior presente - Ivete Sangalo)



13 anos juntos... Você me completa, te amo, te amo e te amo!!!

Recalculando Rota*

A ideia de escrever esse texto surge de uma necessidade absurda de expressar a minha gratidão. Sim, esse é o sentimento mais marcante dessa...